Aula 14 – Bacalhau

Esta é mais uma aula gratis de gastronomia criada pelo nosso Chef Marcos Ripp Cozzella. Siga #50AulasDeGastronomia para ler todas as aulas. Acompanhe essa aula sobre Bacalhau, publicada originalmente no grupo Facebook Chefs do Brasil.

Vou começar dizendo que bacalhau não é um peixe… São vários.

Esse gênero chamado Gadus tem vários tipos, uns 50 ou mais, que comumente são chamados de bacalhau. São peixes que vivem no Atlântico Norte e tem seu nome originário da palavra Bakeljauw.

Colocarei os processos, armazenamento e receitas, tudo separado para melhor consulta.

A Salga do Bacalhau

Na gastronomia são muito apreciados no mundo todo, mas eles têm algo a mais que a maioria dos peixes. Devido aos invernos rigorosos, os povos da península escandinava desenvolveram um método de conservação quase perfeito, a salga, embora em muitas referências esse método esteja descrito como de origem portuguesa. Em relatos históricos, tanto de portugueses quanto de escandinavos, ambos apresentam referência a isso, ficando difícil saber quem é o real autor.

Acredito, devido ao fator climático, que sejam os escandinavos, porém, com a navegação extensamente praticada pelos portugueses, atingindo quase o planeta todo com isso, fica difícil, em termos de registros, afirmar com certeza, pois a salga de pescados é um dos mais antigos meios de conservação de alimentos conhecidos, portanto o aspecto da navegação sofre um abalo em credulidade. Votaria nos nórdicos.

O processo de salga é bem interessante.

Primeiro o peixe é pescado e imediatamente congelado. Enviado aos centros de processamento, são eviscerados e colocados em água corrente.

Há o período de secagem que dura de 36 a 120 horas, dependendo da espessura do peixe. Depois é colocado em caixas com muito sal e ficam prensados por cinco dias. Ao término desse tempo, ele é retirado e virado. Coloca-se mais sal e volta a ser prensado.

Esse processo de secagem dura de duas a três semana, sempre em temperaturas controladas em torno de 12ºC. Na salga do bacalhau a ação do sal é dupla. O sal desidrata o pescado por diferença de pressão osmótica entre o meio externo e interno, e penetra na carne, baixando a atividade bacteriana.

Estima-se que esse método seja um dos mais seguros em termos de conservação destinada à alimentação humana. Todo esse tempo em que os pescados são mantidos em contacto com o sal ou salmoura é conhecido como tempo de salga. O objetivo é manter uma umidade em torno ou abaixo de 45%.

Dessalga do Bacalhau

Ao chegar a casa esse produto temos que fazer o processo inverso à salga, ou seja, temos que retirar esse sal. Esse processo chama-se demolhar, muitas vezes encontrado como dessalgar

Coloca-se o bacalhau em água e a cada oito horas precisamos trocá-la.

O ideal é manter na geladeira por esse período que pode variar de 24 a 48 horas, dependendo da espessura do peixe. Podemos fazer o demolhar em leite, o que deixa mais tenro, porém altera sutilmente o sabor da peça. O ideal é fazer o dessalge na água e depois, se formos prepara-lo dentro de um líquido é que pode ser feito no leite, mas não necessariamente.

O tempo vai depender da espessura e da cura da peça. Peças perfeitamente salgadas demoram entre 24 e 48 horas para serem dessalgadas. As mais finas, obviamente, tem o processo mais rápido, enquanto as mais grossas necessitam de maior tempo de imersão para tirar o sal.

Um lombo grosso fica 48 horas dentro da água, enquanto que lascas do bacalhau precisam apenas de 6 horas.

O processo deve ser feito dentro da geladeira e devemos trocar a água de seis em seis horas. Fazendo assim, não haverá odores, a carne ficará tenra e firme.

O melhor jeito de saber se o processo está terminado é experimentando a água.
Quando pronto, a água deve estar muito pouco salgada.

A Compra do bacalhau

O aspecto e o cheiro são muito importantes. Se estiver avermelhado, escuro demais, cheirando forte, dispense.

Se for comprar a peça inteira, para verificar se a salga foi bem feita, segure firmemente pela ponta e o mantenha na horizontal.

Ele deve permanecer reto.

Se dobrar é porque o processo foi mal feito e, com isso, a carne pode não estar perfeitamente preservada.

Manchas escuras, cortes mal feitos, embalagens danificadas, data de validade, aparência, cheiro, cor, tudo deve ser verificado no ato da compra.

Alguns comerciantes umedecem o peixe para aumentar o peso, portanto ele deve ser bem seco. Essa pratica condenável altera a validade do pescado. Não compre se perceber isto.

Armazenamento do Bacalhau

Dependerá de como comprou. Se for salgado, deve ser mantido em temperatura ambiente, evitando altas temperaturas, em lugar fresco e ventilado.

Se comprar fresco, deve ficar na geladeira ou freezer. Ao dessalgar o bacalhau, ele pode ser congelado.

Para isso, faça a demolha e depois seque bem, embalando em sacos plásticos.

Se for guardar na geladeira, proceda do mesmo jeito, mas mantenha na parte menos fria, a gaveta de legumes.

A duração é de duas a quatro semanas.

No freezer pode ficar de 8 a 12 meses.

Bacalhau: Um Resumo

Para o bacalhau ficar perfeito não é preciso muitos passos, porém alguns são fundamentais.

Dessalgar é o primeiro.

Lave a posta e coloque na água e deixe na geladeira por 24 horas trocando, pelo menos, três vezes essa água.

Nessa última água, aproveite-a e ferva os legumes que irá usar, como a batata e o pimentão (não se esqueça de retirar as sementes e a parte esbranquiçada.

Para maior suavidade e textura mais delicada, retire a pele, também).

Ferva por alguns minutos as postas de bacalhau no leite, em fogo baixo.

Só adicione azeite de oliva e as azeitonas quando tudo estiver frio ou se houver necessidade de cocção com ele.

Colocar ervas fortes não é aconselhável. Use salsinha fresca, apenas.

Para montar os pratos você pode fazê-los individualmente ou em uma forma (travessa), porém não se esqueça de misturar bem para que todos os sabores fiquem bem harmônicos.

Dependendo do prato você pode usar lascas de bacalhau que custam bem mais baratos, mas deve seguir todos os passos iguais aos das postas maiores, excetuando o tempo de dessalga que é menor.

Fundamental é tomar cuidado para que não fiquem espinhas. Verifique com cuidado, sempre. O bacalhau é muito versátil e não necessariamente precisa ser feito do modo tradicional.

Ele pode ser usado como um filet, levado à grelha, com manteiga e servido apenas com acompanhamentos separados.

O preço caiu muito, mas estamos chegando ao fim do ano e ele tende a subir. Como é um produto de duração maior, invista nisso e aproveite as ofertas, mas ao guardá-lo, se for na geladeira, embrulhe-o bem, evitando que a umidade chegue a ele.

Veja também – 50 Aulas de Gastronomia Gratis:

AULA 13 – Batatas

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“Ao vencedor…as batatas”

Essa frase de Machado de Assis já não espelha a verdade. Hoje tão comuns, antigamente as batatas eram raras e caras.
Provenientes da América Andina, só foram introduzidas na culinária europeia a partir da época dos descobrimentos.
A batata saiu dos Andes e dominou o mundo.

Existem milhares de tipos de batatas. No Peru, onde descobertas arqueológicas mostram que as batatas são cultivadas há mais de sete mil anos, há o Museu da Batata com mais de 4 mil espécies do tubérculo comestível. Nesse mesmo país, laboratórios desenvolvem como manter espécies que estão em vias de extinção.

Batata é assunto sério por lá e, acredito, no mundo todo, mas é na China que encontramos o maior produtor mundial de batatas, seguido da Rússia e da Índia.

A batata possui em sua composição elementos importantes a nossa nutrição. Grãos de amido (esse aumenta com a idade da batata, ou seja, quanto mais velha, mais amido contém), vitaminas B e C e é rica em ferro e zinco. Esse tubérculo rico em carboidratos possui duas vezes mais proteínas que a mandioca, além de vitaminas e sais minerais.

A batata ajuda a reduzir a tensão arterial, previne a prisão de ventre, mantém os níveis de açúcar, auxilia o sistema nervoso, ajuda a saúde cardiovascular e aumenta o desempenho atlético por conter a vitamina B6.

Na classificação, elas são divididas em cerosas e farinhosas. Para que nossos preparos deem certo, precisamos saber escolhê-las.

As cerosas têm mais umidade e pouco amido e são ideais para fazermos sautée, cozinhar ou mesmo usar em saladas.

Como as farinhosas tem mais amido, ficam porosas e leves, portanto, são melhores para assar ou fazer purês e gratinados.

Cozida, é recomendada nos regimes alimentares, como substituta do arroz, por apresentar menor quantidade de gordura e açúcar que o popular cereal.

As batatas mais comuns de encontrarmos à venda são a Monalisa e a Inglesa (praticamente a mesma, ao meu entendimento), de casca amarela, fina e com a polpa bem amarelada. Servem a quase todos os pratos expostos aqui. Outro tipo bastante comum é a Asterix, às vezes, a Dessirée, que tem a casca vermelha e a polpa amarela, tem menos quantidade de água e servem bem para frituras e preparos onde a água não é muito desejável.

A batata Baroa, ou mandioquinha, é outra bastante comum e muito apreciada, pois ao ser cozida tem um sabor delicioso que combina com muitos pratos, inclusive sopas e sobremesas. A batata doce roxa possui a casca roxa e a polpa branca.

Pode ser preparada de diversas formas, mas fica ótima assada.
As sete variedades mais comuns no mercado do Brasil, hoje em dia, segundo fonte do Ceagesp são, embora elas não sejam encontradas em todos os estados:

  • Asterix (indicada para cozinhar e fritar)
  • Ágata (é boa assada ou cozida)
  • Atlantic (ideal para fritar)
  • César (fica melhor frita)
  • Bintje (boa para cozinhar, assar ou fritar)
  • Monalisa (ideal cozida ou assada)
  • Mondial (vai bem cozida ou assada)

Ao comprar batatas, escolha as de casca lisa, sem protuberâncias e afloramentos brotando. Esverdeamento, podridão aparente, úmida ou seca, com danos ou cortes superficiais devem ser descartadas.

Ao escolhermos, devemos ver vários fatores.

Entre eles: – Devem ser firmes, de casca lisa, sem estarem brotando e sem cheiro de mofo. A cor deve ser uniforme. Você deve ter uma escovinha na sua pia para lavar as batatas.

A casca da batata é saborosa e tem muitos nutrientes, por isso é melhor não tirá-la se o preparo não exigir. Esfregar bem e até raspar de leve para remover os “olhos”, aquelas protuberâncias, é melhor que descascar.

Na hora de assar batatas, fure-as com um garfo, principalmente batatas maiores, assim a casca não se rompe durante o cozimento. Podemos esfregar a casca com óleo e sal, assim elas ficam bem crocantes. Em algumas receitas, encontramos dois nomes de origens francesas a cerca de seus tipos de cortes:

Hasselback, que seria como cortar a batata em rodelas, mas não chegando a separá-las, perfeito para fazer o leque de batatas que deixo a receita abaixo e o Pommes Châteaux, que seria cortar a batata em quatro partes no sentido vertical e aplainar a vertente mais aguda dela.

Na culinária francesa, as batatas recebem um tratamento todo especial e cada corte, cada preparo, tem seu nome próprio como:

  • Pommes Allumettes (a batata palha),
  • Pommes Frites (batata frita),
  • Pommes Gaufrette (seria aquele corte tipo batata Ruffles, só que toda furadinha. Obtemos esse corte passando pela Mandolin e virando a batata a cada vez 90º),
  • Pommes Souffles ( em fatias de uns 3 milímetros cortadas horizontalmente),
  • Pommes Parisienses ou Pommes Noisettes (feitas com o boleador e depois cozidas na manteiga e no óleo para dourarem),
  • Pommes Pont Neuf (corte a Julienne sem pontas e com 1 centímetro de espessura),etc.

Receitas com Batatas:

Purê de Batatas

Para fazer um bom purê, é preciso escolher o tipo certo de batata, que são as farinhosas. Para um purée profissional, tem que passar as batatas pela peneira de confeiteiro, deixando assim sem nenhum grumo, bem liso.
Depois de fazer o cozimento das batatas, existem uma série de possibilidades de terminarmos o purê:

  • Com leite quente e uma generosa porção de manteiga e deste preparo, podemos ainda substituir o leite quente por creme de leite.
  • Com creme fraiche e azeite de Oliva.
  • Com alho esmagado ou alho tostado e azeite ou manteiga.
  • Com creme de leite e queijos, tipo gruyére.

Na hora de servir, podemos dar asas a nossa imaginação e não simplesmente colocar uma colherada de purê no prato. Podemos usar o saco de confeitar e fazer arranjos lindos com o purê.

Podemos colocar em forminhas individuais e levar ao forno junto a uma gema e manteiga montando atraentes porções de purês individuais.
Ainda, no caso de querermos algo mais sofisticado, podemos colocar folhas de espinafre nas laterais da forminha individual, presas com manteiga, preencher com purê e levar ao forno.

Podemos, ainda, usar purês e fazermos o famoso bolo de carne, onde apenas colocamos uma camada de purê de batatas, acrescido de gema e manteiga, o recheio feito de carne ou mesmo queijo e folhas verdes salteadas como espinafre e escarola, e cobrirmos com outra camada de purê. Leva-se ao forno com uma camada de queijo e gratinamos.

Fritas

A mais comum nas casas e quase todos não sabem fazer direito para que fiquem leves, crocantes, sem estarem encharcadas de óleo e saborosas.

Descasque, corte no tipo de fatia que quer e lave bem para retirar o amido.
Lave até a água ficar límpida. Se for fritar posteriormente, deixe dentro da água em uma vasilha e coloque na geladeira.

Na hora de fritar, seque-as com um pano (isso é importantíssimo, porque além da crocância, evitamos espirrar óleo para todo lado, por causa da vaporização instantânea da água em contato com a temperatura mais alta do óleo) e coloque no óleo já quente, por volta de 180ºC.

Se não tiver um termômetro, coloque uma fatia apenas e veja se ela borbulha muito, média ou pouco. Se for pouco, espere esquentar mais; se as borbulhas forem medianas, está na hora, mas se elas explodirem em uma chuva de óleo quente e borbulhas enormes baixe o fogo e aguarde uns instantes.

Podemos fazer como em restaurante e pré-fritá-las, ou seja, dar uma primeira fritura e quando estiverem começando a ficar douradas, tirar da gordura e deixar escorrendo na grade.

Quando chegar a hora, aqueça a gordura a 180º e coloque essas batatas novamente, assim ficarão crocantes por fora e macias por dentro.

Uma dica saborosa: Coloque dentro do óleo da fritura, alguns dentes de alho com a casca e no meio tempo da fritura, um ramo de alecrim. O aroma do alecrim deixará muito mais agradável o cheiro da fritura e o alho, após a fritura, esmagado, se transforma em um delicioso purê para acompanhar as fritas.

Backed Potatos

Um jeito muito fácil de preparar batatas é fazê-las no microondas.
Preparação:Lave as batatas em água corrente, removendo os eventuais pontos pretos. Seque com papel absorvente e, com uma faca afiada, faça um risco em toda a circunferência dela.

Leve ao micro-ondas, em potência alta por três minutos. Vire a batata e cozinhe por mais dois minutos. Agora você pode cortar a batata ao meio, tirando ou não a casca, ou pode deixá-la inteira e, com auxílio de uma colher de sobremesa, cavar dentro dela, fazendo uma cova onde depositará o recheio.

Cobertura ou Recheio Clássico

Coloque creme de leite e polvilhe com pedacinhos de bacon frito e escorrido.Por cima, coloque cebolettes bem picadinhas e um pouco de sal.

Cobertura ou recheio 1:

  • Cubra ou recheie com manteiga, molho de tomate e queijo ralado ou Cheddar.
  • Volte ao micro-ondas por mais um ou dois minutos.
  • O molho de tomate pode estar ou não com molho de pimenta.

Cobertura ou recheio 2:

  • Pincele as metades ou a cova na batata com manteiga. Coloque molho de tomate e mozzarella.Polvilhe um pouco de parmesão por cima.
  • Leve ao micro-ondas por mais um minuto e coloque folhinhas de manjericão por cima.

Cobertura ou recheio 3:

  • Cubra a cova ou a metade da batata com manteiga, adicione milho e queijo cheddar.
  • Leve ao micro-ondas por um minuto e sirva.

Cobertura ou recheio 4:

  • Coloque atum escorrido e cozinhe por um minuto em potência alta.
  • Ao retirar, cubra com creme azedo, cebola bem picadinha, cebolinha e salsa.

Recheio da Backed Potattoes preferido do Ripp

Cave a batata sem furá-la. O que foi retirado deve ser colocado em uma vasilha. Misture um pouco de maionese, mostarda, cebolinha picada, requeijão e bacon escorrido em pedacinhos. Retorne essa mistura à cova feita na batata e leve ao micro-ondas por mais um minuto. Quando retirar, polvilhe cebolinha e queijo parmesão ralado na hora e sirva.

Frango com batata doce

A batata doce, entre muitas receitas, fica muito saborosa quando preparada com frango e um jeito rápido de fazer essa receita é no micro-ondas.
Coloque o peito de frango ou coxas desossadas junto com as batatas doces lavadas e descascadas.

Acrescente dois dentes de alho amassados, duas a três colheres de azeite de oliva, uma colher de vinagre branco ou de sidra e leve ao forno de micro-ondas por 5 a 6 minutos.

Retire e adicione duas xícaras de molho de tomate caseiro com duas xícaras de caldo de galinha, pimentões vermelhos sem pele e sem semente fatiados, uma pimenta vermelha sem sementes e sem a parte branca picadinha e volte ao micro por mais 7 a 8 minutos, coberto.

Deixe descansar por dois minutos e volte a colocar por mais 7 a 8 minutos, mas desta vez, com o recipiente semi-tampado.

Retire e sirva com arroz branco, creme de milho ou mesmo apenas acompanhando uns pãezinhos frescos.

Sopas de Batata

Existem várias receitas de sopas de batatas e com batatas.

A mais famosa é a sopa de batatas e alho-poró chamada de Vichyssoise (fala-se Vi-chi -su- á). Eu costumo acrescentar vários sabores sólidos a essa sopa. A receita com bacalhau é especialmente saborosa.

Vichyssoise de bacalhau

  • Primeiro, lave e descasque as batatas.
  • Coloque-as para ferver em um caldo de peixe ou de legumes até ficarem macias.
  • Limpe o alho-poró retirando as partes duras.
  • Corte em fatias bem finas.
  • Corte uma cebola em cubinhos.
  • Leve os dois à frigideira com uma boa quantidade de manteiga e um fio de azeite (para a manteiga não queimar e ficar escura).
  • Salteie, mas não deixe dourar.
  • Separe um pouquinho para colocar em cima dos filetes do bacalhau para ter uma apresentação mais colorida e bonita.
  • Escorra a batata e coloque no processador junto com o preparo do alho-poró.
  • Bata até homogeneizar.
  • Reserve.
  • Ferva o bacalhau no leite aromatizado com uma cebola, dois dentes de cravo-da-índia e uma folha de louro (como no Bechamel) durante uns 4 a 5 minutos.
  • Desfie e retire todas as espinhas.
  • Coloque no centro do prato.
  • Leve a Vichyssoise ao fogo brando e quando esquentar adicione creme de leite fresco.
  • Experimente o sal e coloque o necessário.
  • Coloque no prato ladeando o bacalhau.
  • Moa pimenta-do-reino na hora, se quiser, por cima da preparação.
  • Sirva com torradinhas de gergelim na manteiga.

Batatas Fondant

Um dos melhores acompanhamentos para carnes quer sejam de boi, porco ou aves.

  • Comece lavando bem as batatas e descascando.
  • Corte em rodelas de dois a três centímetros. Numa frigideira, que possa ir ao fogo e ao forno, coloque uma colher de sopa de manteiga e um fio de azeite e adicione as batatas.
  • Deixe por uns 4 a 5 minutos, até dourar a superfície em contato com a frigideira.
  • Vire e deixe mais ou tanto de tempo. Adicione um pouco de caldo de legumes, de carne ou de aves, dependendo do que elas irão acompanhar.
  • Polvilhe sal, tomilho e um pouco de pimenta do reino.
  • Leve ao forno a 180ºC até ficarem macias, o que demora por volta de 12 a 15 minutos.
  • Retire com a espátula e sirva.

Gnocchi de Batata

Um prato onde a batata faz parte junto com a farinha como estrela principal. O importante quando fazemos um gnocchi é deixá-lo leve, suave, gostoso e para isso devemos seguir uma regra: A proporção de batatas e farinha deve ser de 4 por 1,ou seja, se usar um kilo de batatas, no máximo, usaremos 250 gramas de farinha.

O aumento na quantidade da farinha transforma o nhoque em pedaços massudos, pesados e com gosto ruim.

A receita básica do Gnocchi é:

Para um kilo de batata cozida, de preferência no forno, assim elas ficam mais sequinhas, usamos 250 gramas de farinha de trigo peneirada para evitar grumos, duas gemas de ovos, sal a gosto e uma colher de sopa de manteiga.

Tudo misturado à mão deve formar uma massa seca, onde ao colocarmos o dedo limpo ele sairá limpo, sem pedaços grudados nele.
Forme uma bola com essa massa ao terminar de misturar os ingredientes e deixe descansar uns 20 minutos, coberto em temperatura ambiente.
Divida essa massa em partes e role sobre uma superfície esfarinhada, formando tubos.

Com uma faca sem serra e de lâmina fina, corte em pequenas porções.
Nesse ponto, podemos colocar na água fervente com sal assim mesmo, mas se quiser deixar com formato atraente, boleie um por um, assim como enrolamos um brigadeiro.

Podemos ainda passar o garfo sobre ele, criando ranhuras que servirão para que cada porção agregue mais molho ao comermos.
Ao colocarmos na água fervente, poucos por vez, esperamos eles subirem à superfície.

Retire com uma escumadeira e coloque sobre o escorredor de massas.
Quando todos estiverem prontos, transfira a uma travessa e adicione o molho de sua preferência e coloque, se quiser, parmesão ralado por cima e algumas folhinhas de ervas (manjericão, salsa ou cebolettes bem picadinhas).

Uma variação ao gnochhi tradicional é adicionarmos um terço do peso da batata com mandioquinha cozida. Outra está em colocarmos abóbora, passada pelo forno para amaciá-la. Nas formas que o gnocchi pode ter, a que mais aprecio é adicionar espinafre e ricota.

O resultado é tão gostoso que nem precisamos colocar molho.
Apenas fazemos um pouco de manteiga, que pode ter sálvia, e passarmos neles.

Leque de Batatas Le Cordon Bleu

(a clássica receita que depois deu origem as Batatas Hasselback).

Essa é uma receita francesa que consta no livro Le Cordon Bleu – Receitas Caseiras de Batatas e fica uma delícia. Descasque a batata e faça cortes de meio centímetro em toda ela, mas sem chegar ao fundo.

Com a ajuda de uma faquinha fina, separe cada pedaço, um a um, e coloque um pedaço de uma fatia de bacon pré-tostado e sequinho. Polvilhe parmesão ralado e leve ao forno, em temperatura média, por 45 minutos. (Se estiver com pressa, e for fazer em pouca quantidade, você pode fazer no micro-ondas, por 7 minutos/batata, porém o resultado fica aquém do forno convencional).

Gratin Dauphinois com Bacalhau

Lave e descasque as batatas e faz fatias finas, de uns 2 a 3 milímetros, lava de novo. Dá uma aferventada nelas, não para elas desmancharem, mas para amaciar e tirar um pouco do amido.

Faça uma camada em um pirex untado com azeite e espalha um molho (quase um roux simples, e chegando ao bechamél), porque neste molho você antes de colocar a farinha e o leite, dourou cebolas em fatias bem delicadas na manteiga e temperou com sal e pimenta-do-reino moída na hora.

Vai repetindo até quase chegar à borda da travessa. Leva ao forno pré-aquecido a 200º e deixa gratinar. No livro La Cuisine du Marché, de Paul Bocuse, as batatas gratinadas levam alho e ovos, em uma variação à receita da região da França chamada de Dauphiné, de onde vem o nome do famosos preparo.

Batatas Estufadas (soufflé)

Não é simples fazer essas “almofadinhas” de batata porque nem sempre dá certo, depende demais da temperatura, do tempo e do tipo de batata, mas se quiserem tentar funciona assim:

  • Use batatas Asterix ou Yacon. Corte um cubo na batata e dele faça lâminas de, no máximo 2 milímetros cada.
  • Seque bem com um pano limpo para retirar o excesso de água.
  • Em uma panela coloque óleo limpo e deixe a uma temperatura entre 100 e 110º no máximo.
  • Fique movimentando, através do cabo o tempo todo, até elas começarem a corar.
  • Não coloque muitas ao mesmo tempo.
  • Evite que elas fiquem uma sobre a outra, o que faz com que você tenha que repetir a operação várias vezes se houver muita gente para comer, a menos que tenha uma fritadeira elétrica e grande.
  • Enquanto isso coloque em outra panela é nessa a temperatura do óleo deve ser 180º.
  • Quando corarem, retire com a escumadeira e coloque na outra frigideira, imediatamente.
  • Elas incham e isso é muito rápido. Tome cuidado para não queimá-las, pois ficam apenas alguns segundos nesse óleo quente.
  • Retire e coloque na grade ou no papel toalha para escorrer. Tempere com sal e sirva imediatamente.

Batatas Enroladas

  • Cozinhe as batatas até ficarem macias em água e sal.
  • Escorra bem para que fiquem secas.
  • Tempere com alho amassado, ervas, sal e pimenta.
  • Enrole uma fatia de queijo prato e, por cima, uma fatia de presunto.
  • Agora derrame creme de leite por cima, polvilhe queijo parmesão ralado e leve ao forno a 160ºC por uns 8 a 10 minutos.
  • Sirva com carnes.A mesma receita pode ser feita com fatias de bacon, em vez do queijo e do presunto.

Batatas Duquesa (Duchesse)

Cozinhe em água com sal um kilo de batatas e passe pelo espremedor.
Misture bem com seis gemas de ovos e 3 colheres de manteiga.
Tempere com sal, pimenta e noz moscada.

Coloque essa mistura em um saco de confeitar, forme montinhos em assadeira untada e enfarinhada ou com papel vegetal ou com o silpat e coloque no freezer por uma hora. Retire e leve ao forno médio até dourar.
Sirva com carnes.

Batatas Sautée

  • Comece lavando bem as batatas, mas não descasque.
  • Ponha em uma panela com água fria e deixe até levantar fervura.
  • Aguarde de 15 a 20 minutos de acordo com o tamanho das batatas.
  • Escorra e deixe esfriar.
  • Descasque as batatas e corte em rodelas grossas.
  • Derreta manteiga em uma frigideira grande, em fogo baixo e com um fiozinho de azeite.
  • Coloque as batatas sem sobrepô-las e deixe dourar por uns 3 a 4 minutos.
  • Vire com auxílio de espátulas e doure o outro lado.
  • Retire e coloque em uma travessa ou prato de servir que estejam aquecidos, pois essa batata precisa estar bem quente para servir.
  • Polvilhe sal, pimenta do reino e folhas de salsinha.

Batata Boulangère

  • Descasque cebolas e as corte em rodelas.
  • Derreta manteiga na frigideira e coloque as cebolas.
  • Deixe cozinhar uns 10 minutos, mas mexa sempre porque não queremos que as cebolas caramelizem e fiquem escuras. Pré-aqueça o forno na temperatura mais alta (250ºC).
  • Unte uma travessa refratária e coloque batatas em rodelas finas (essas batatas, depois de descascadas, devem ser lavadas para retirar o máximo do amido).
  • Por cima, coloque as cebolas e cubra com outra camada de batatas.
  • Tempere com tomilho e louro (esmigalhe as folhas ou use, com parcimônia, em pó).
  • Acrescente sal e pimenta do reino.
  • Alterne quantas camadas quiser, seguindo o modo acima. Agora cubra com caldo de galinha todo esse preparo e leve ao forno por uns 40 minutos.
  • Um acompanhamento divino para Carnes Assadas.
  • Você pode variar, se quiser, e adicionar um pouco de vinho tipo Bordeaux ao caldo.

Batata e Iogurte

  • Prepare as batatas no forno até ficarem macias.
  • Essas batatas devem ser grandes e depois de prontas devemos abrir uma cova no centro.
  • Reserve-as bem aquecidas.
  • Em um bowl, bata creme de leite fresco até dobrar de volume. Junte uma pitada de sal e uma de pimenta-do-reino.
  • Em outro bowl, bata um pote de iogurte natural e acrescente o creme de leite, misturando com delicadeza.
  • Coloque a mistura na cova das batatas e sirva.

Batatas ao Vapor (Pommes Châteaux) – Conselho

Leve a panela de vapor depois de bem lavada. Com ou sem casa, mas na maioria das vezes, já descascada.

Aguarde o tempo necessário e retire. (Espete um garfo e sinta se está macia. Esse ato chamamos de Forktender).

Use essas batatas para fazer Gnocchi, para servir em saladas ou mesmo como guarnição, apenas temperando com sal, pimenta do reino e azeite de oliva.

É um dos mais saudáveis jeitos de prepararmos batatas. Invista em uma panela de vapor, pois além das batatas, podemos preparar inúmeros pratos com ela.

* Se não tempanela de vapor, coloque um escorredor de massas dentro de uma panela e coloque uns dois dedos de água e tampe.

Batatas no Papillote

Lave e descasque as batatas, cortando em rodelas.

Faça um envelope com papel manteiga ou com folha de alumínio, fechando bem as bordas (uma maneira de vedar bem o papillote é passar clara de ovo nas bordas). No caso de um envelope grande essa sugestão é bem aproveitada, principalmente se for em folha de alumínio.

Coloque as rodelas de batatas e acrescente um pouco de sal e pimenta do reino. A gosto, você pode adicionar pedaços de manteiga e leve ao forno pré-aquecido a 200ºC por uma hora mais ou menos, porém só vai ficar boa mesmo se colocar a manteiga.

Não se esqueça de colocar o papillote sobre uma forma ou bandeja. Facilita a retirada e não corre o risco da grade do forno rasgar o envelope.
Quando retirar, podemos ralar um pouco de noz-moscada por cima que dará um aroma e sabor especial a essas batatas.

* Cuidado com o vapor ao abrir o papillote.

Batatas Noisettes

  • Descasque as batatas, lave para retirar o excesso de amido e seque-as bem.
  • Use um boleador e retire a polpa formando bolinhas.
  • Lave e seque essas bolinhas.
  • Aqueça em uma frigideira, manteiga com um fio de azeite e coloque as bolinhas (noisettes) e salteie até dourarem.
  • Retire e seque em papel absorvente.
  • Polvilhe sal e pimenta do reino moída na hora.

Croquetes de Batatas

  • Descasque e lave bem as batatas, cortando-as em quatro partes.
  • Ponha em uma panela e cubra com água e sal e deixe no fogo por 20 minutos.
  • Pré-aqueça o forno a 250ºC.
  • Passe as batatas pelo espremedor ou processador, formando um purê.
  • Acrescente manteiga e incorpore gemas de ovos uma a uma. Tempere com sal essa mistura.
  • Aqueça uma panela com óleo até chegar aos 180ªC.
  • Com as mãos esfarinhadas, vá fazendo os croquetes em forma cilíndrica e fina.
  • Procure fazer todos do mesmo tamanho.
  • Passe pela farinha de rosca.
  • Frite no óleo por uns três minutos.
  • Escorra na grade ou em papel absorvente.
  • Podemos colocar um recheio nesses croquetes, como um vegetal, um pedacinho de bacon ou mesmo carne moída.

Aligot

  • Ferva as batatas e passe pelo espremedor.
  • Para um purée bem feito, passe pela peneira de confeiteiro.
  • Leve a uma panela e acrescente creme de leite fresco (Para 1 Kg de Batata, 100 mls de creme de leite).
  • Em fogo médio, vá mexendo até misturar bem o creme e a batata.
  • Acrescente aos poucos o queijo (pode ser gruyére, mozzarella, meia-cura, etc. Para 1 kg de Batata, acrescente 250/300 gramas de queijo).
  • Acrescente, se quiser, alho tostado.
  • Ao mexer, erga a colher de vez enquando para que a “massa estique”.
  • Quando a massa estiver lisa e cremosa e cair em um fio contínuo é sinal que o Aligot está pronto.

Veja também – 50 Aulas de Gastronomia Gratis:

Quantas picanhas tem uma vaca? Entenda o corte, peso e lado direito/esquerdo

Uma vaca tem duas picanhas, uma de cada lado da carcaça. Cada peça fica na parte traseira do animal, próxima ao contrafilé e à alcatra. O peso varia, mas peças muito grandes podem incluir outros cortes junto com a picanha.

Nosso Chef Ripp comenta:

Na picanha somos enganados a toda hora.
Os açougueiros de alguns, muitos, locais, costumam mandar junto um belo pedaço de coxão duro junto.

Aí está a enganação, pois a carne menos macia, por que é intensamente exigida em contra partida à picanha que é muito menos exigida no esforço muscular do boi.

Desde a época da escola, procuramos levar vantagem em tudo e ao vermos aquela picanha grande, com quase um kilo e meio, os olhos crescem e o bolso murcha, pois está pagando o dobro por aproximadamente meio quilo dessa peça.

O boi, a vaca, o porco, etc, tem duas picanhas. Uma direita e outra esquerda.
É preciso saber distingui-las, pois é assim que descobriremos como cortar.
A dica é encostar o dedão direito na parte mais alta e descobrir que é uma picanha direita. O contrário, esquerda.

Daí fazemos cortes a 45º voltando a faca para direita, no caso da picanha direita e vice-versa.

Quando temos a peça inteira é difícil ver, pois não há uma separação visível entre o coxão duro e a picanha, então olhamos uma série de três veias e temos que cortar um dedo antes da terceira veia em direção à ponta.

Pronto, assim terá o corte chamado picanha.

Na hora de preparar, fogo alto e rapidez.

Picanhas que ficam muito tempo no fogo ficam duras.

Os brasileiros e seus rodízios tem o hábito de servir pedaços de picanha feitos em fogo alto e, ao chegarem na mesa, cortam apenas a carne chamuscada, a casca. Um erro, um jeito errado de aproveitar a picanha.

O melhor jeito é fazer bifes, em cortes de dois centímetros, como expliquei acima e depois cortar em fatias finas transversais a esse corte.
Ela se desmancha de tão macio. Isso se não ficar muito tempo no fogo.

De 3 a 4 minutos é o tempo ideal para um bife de picanha assim, de cada lado, a um chama com brasa ativa, sem fogo e a 25 centímetros de distância.

Tempero: só sal grosso moído e com reticências.

Depois na mesa, tempera-se com um molho, um vinagrete se quiser.
Eu prefiro nada, somente o sal. E pouco.
O sabor tem que ser dela e não de outros ingredientes.

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AULA 12 – Sorvets, Sorbets, Bavaroise, Parfaits e Granitas

Esta é mais uma aula gratis de gastronomia criada pelo nosso Chef Marcos Ripp Cozzella. Siga #50AulasDeGastronomia para ler todas as aulas. Acompanhe Aula 12, publicada originalmente no Facebook Chefs do Brasil.

Vamos falar de Sorvets, Sorbets, Bavaroise e Granitas e vou incluir os Parfaits nessa aula, afinal são geladinhos e pertencem à mesma família.

Muita gente os põe na mesma cesta, mas são diferentes, servem para diferentes serviços e tem sabor, textura e composição diferentes.

Os sorvetes e as sobremesas com sorvetes feitas em casa (ou restaurante) são completamente diferentes dos industrializados.

Algumas marcas mais sofisticadas acabam por usar isto e, com isso, obtém um sorvete diferenciado, porém, sempre aquém do sabor do sorvete caseiro. São os chamados sorvetes gourmet ou especiais.

É difícil encontrar na literatura algo sobre suas origens, mas com certeza ela está intimamente ligada à neve. Isso mesmo, neve, afinal a refrigeração é algo do século XX e o sorvete existe há milênios.

Era algo para ricos, afinal pense o quanto era difícil o transporte sem refrigeração. O comerciante pegava um iceberg no Polo Norte e chegava com uma pedrinha de gelo na Europa!!

Hoje, muitas lendas existem a cerca de sua origem. Uns dizem que foi uma chuva de granizo que trouxe o sorvete até nós, outros que Vikings faziam seu uso para curar feridas de guerras, alguns colocam o imperador Nero como apreciador em destaque (imagino que após colocar fogo em Roma, ele deva ter tomado muito sorvete para se refrescar, hehe!!) e por aí vai.

Precisou-se criar uma tecnologia apropriada para que o sorvete que hoje compramos em qualquer esquina, chegasse tão fartamente a nós. E essa tecnologia acabou por alterar os sabores, embora tenha sido ela quem criou novos e deliciosos experimentos que hoje conhecemos.

Sem entrar em detalhes, existe certa operação na fabricação dos sorvetes chamada de “Overrun” que é a colocação de ar nos sorvetes. O zero por cento seria uma pedra de gelo e 100% flutuaria. Bons sorvetes industrializados tem esse “Overrun” em torno de 40%, mas os mais populares e baratos chegam a ter 80%, o que prejudica o sabor, embora o torne mais macio.

Claro que você não vai fazer essa experiência para não desperdiçar seu amado sorvete, mas se deixasse um pote de dois litros derreterem, o que sobra dentro dele é menos que a metade do seu volume. Quanto mais ar, menor o custo. Entenderam?

Isso sem falar dos sabores artificiais e dos emulsificantes usados em uma porcentagem acima do que um bom sorvete deve ter. Pensando nisso, certo americano chamado Rubien, começou a fazer um sorvete gourmet que tinha sabores naturais, um overrun de 40% e um pouco mais (2%) de manteiga. Seguindo o conselho de sua esposa, colocou um nome que parecia ser importado da Europa e inventou um nome que nada significa. Hoje é um dos nomes ligados ao sorvete dos mais conhecidos no mundo: A Häagen-Dazs.

Para se ter uma ideia do tamanho da importância que o sorvete tem na alimentação, os americanos consomem quarenta e oito bilhões de bolas de sorvete por ano. É o país de maior consumo e onde a indústria bilionária dos sorvetes trava uma guerra alucinante para sempre trazer novidades.
Estima-se que de trinta a quarenta novos sabores seja inventados a cada ano e que dois ou três acabem vingando no mercado. Muitos em menos de dois anos, desaparecem. Falo isso porque nossa indústria está intimamente ligada à americana e a europeia, afinal quem de nós nunca tomou um picolé Kibon (hoje em poder da Unilever americana), um Yopa (Nestlè da Suiça) ou um Gelatto (obviamente, italiano).

O orçamento das indústrias de sorvete nos Estados Unidos é maior que o dobro do orçamento da N.A.S.A.

Entendeu a importância de um picolé?

Por falar nisso, o picolé de palito, por curiosidade, foi inventado por um menino. Ele estava tomando um copo de suco com um canudo metálico e o abandonou pela noite toda. Era inverno e o suco congelou com o canudinho dentro. No dia seguinte, seu pai, fabricante de sorvetes, ao o ver brincando segurando o suco congelado pelo canudo teve a ideia e a patenteou.
Não podemos esquecer que nessa época os sorvetes eram servidos em copos de vidros. Não havia copos plásticos a disposição e a casquinha, como veremos, ainda estava por acontecer.

Para a invenção da colher de sorvete, houve uma luta imensa para desenvolvê-la e só em meados de 1850 chegou-se a essa forma que hoje conhecemos. Mais de 240 colheres foram patenteadas nessa época. Parece exagero, mas lembre-se, o sorvete era duro que nem pedra e diferente dos softs que temos a venda hoje.

Hoje, encontramos waflles, bolachas, chips, gotas de chocolate, confeitos, pedaços de frutas, nozes e castanhas, frutas desidratadas e uma variedade enorme acompanhando a massa gelada de leite, manteiga e sabores.

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AULA 11 – Petits Fours

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Nessa aula, deixaremos as bases da culinária um pouquinho e vamos à uma lição prática (aproveitável, deliciosa e sofisticada). Partiremos para a sofisticação e a simplicidade mesmo que ela seja cheia de nomes pomposos e estrangeiros, mas sempre viáveis de reproduzir em sua casa e fazer o maior sucesso.

Hoje vamos falar dos Petits-Fours, que são guloseimas que antecedem sobremesas, mas podem ser deliciosamente acompanhamentos de um chá, de um lanche ou, como popularmente se diz, uma beliscada para aplacar a fome e podem ser, também, salgados, não esqueçam, servindo como entradas e aperitivos, embora muitos queiram criar classificações diferentes, não deixam de ser isso mesmo. Se fossem receitas de biscoitinhos de farinha, eu não escreveria, mas são pequenos delírios que nos fazem sentirmos no Paraíso. Procurarei deixar bem explicado todos os passos e sempre usando ingredientes possíveis e fáceis de encontrar. Estes requerem detalhes e para isso temos que ter toda a atenção do mundo voltada a eles.

Na culinária francesa, muito dela moldada pela nobreza e por cozinheiros que galgaram a fama mundial, eles são comuns e normais. Na Inglaterra é parte do chá da tarde. Nos Estados Unidos, preenchem as latas de biscoitos com seus famosos cookies. Nos lugares onde queremos impor certa sofisticação, eles aparecem.

No lanche das crianças, nas festinhas, nos eventos em geral, ou seja, sempre eles estão presentes. Então, o que parece ser apenas um biscoitinho ou uma miniatura de um bolo, são os formadores de um mundo imenso e que está, de formas variadas, em quase todas as culinárias do mundo.

Petit Four, que quer dizer literalmente, “pequeno forno”, foi criado para aproveitar o fim do calor dos fornos depois dos preparos principais, isso no século XVIII. Muitos nomes eles tem e muitas vezes estamos apreciando algo e nem sabemos que é um petit-four.

Macarons, Beignets, Miroirs, Financiers, Shortbread, Tuiles, Tulipas, Cookies, Baked Meringues, Palets, Plaisirs, são nomes que encontramos na literatura e todos eles podem ser considerados petits-fours.

São preparações muito variadas e que tem em comum uma coisa: o tamanho pequeno. Petits-fours secos acompanham, sobretudo, sobremesas com ovos, sorbets, sorvetes, frutas em calda e frescas. Café, chá, licores, vinhos fortificados tem como sugestão, petits-fours.

Os Petits-fours frescos, nada mais são do que miniaturas de diferentes tipos de bolos e biscoitos, elegantes, delicados e sofisticados. Literalmente, uma guloseima. Os salgados como os tuiles de queijo parmesão, podem servir de base para saladas, acompanhamento de massas e até como adereço que melhoram a apresentação dos nossos trabalhos. Alguns famosos petits-fours e suas receitas passo a passo:

* (lembrando que existem muitas receitas e variações dessas receitas. Escolhi as que são possíveis fazer em casa sem grandes dificuldades e com ingredientes simples)

Financiers

Para fazer os Financiers, você precisa ter forminhas ovais ou quadradinhas e pequenas. Na falta de formas específicas, usamos as forminhas de empadinhas, de tamanho menor.

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AULA 10 – Como escolher vegetais

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Oh… Mal afamados alimentos, que tantas e tantas crianças odeiam, pelo simples fato de terem nascido legumes! Mas, também, convencionou-se que legumes são apenas acompanhamentos, e muitas vezes, são ruins.

Talvez não tenham sido preparados de maneira atraente e saborosa ou sua escolha não tenha sido a mais feliz. Sabor e aparência são importantes para que nosso cérebro comece a funcionar em favor deles.

A regra geral é essa: – Procure os vegetais da estação, assim serão mais frescos e mais baratos. A aparência deve ser firme, fresca e bonita, com cores vibrantes.

Vamos ler uma listinha básica e simples, apenas com os vegetais mais comumente usados no nosso dia a dia, com alguns conselhos amplamente divulgados, que temos que conhecer e que tem toda a lógica do mundo.

Legumes, Raízes e Tubérculos

Sempre dou preferência, quando encontro legumes, verduras e frutas, aos orgânicos. Por quê?

  • Primeiro, pelo sabor que apresentam incomparavelmente melhores.
  • Segundo, porque estão livres de pesticidas.
  • Terceiro, por terem uma produção menor, os cuidados e carinho dos produtores são sempre maiores.
  • Quarto, a durabilidade é maior, na maioria dos casos.

* (Uma maçã, na natureza, não dura 30 dias depois de colhida. Quando muito, 4 a 5 dias, se a temperatura não for excessiva. Pense bem quando comprar aquele pacotinho de maçã com a Mônica estampada na embalagem, em um exemplo particular).

São mais caros, mas o fator “custo/benefício” vale a pena.
Outra coisa a salientar, está no fato do lugar da compra. Sinceramente, mercados e supermercados, não são os lugares mais indicados porque, muitas vezes, estão estocados por dias em câmaras resfriadas, e ao ser expostos, a degradação se torna muito mais rápida.
Prefira feiras e mercados municipais. Mas, ao chegar a esses locais, como se deve fazer para obter o melhor resultado?

Um fator sempre levado em conta é o valor, porém, precisamos pensar se vale mesmo a pena aproveitar aquela oferta, só porque os tomates estão “machucadinhos” e que se não usados em poucos dias estarão podres ou aqueles que estão um pouco mais caros, mas que poderão ser armazenados por 10 a 12 dias.

Eu, particularmente, tenho horror da “hora da Xepa”. Um pouco mais baratos, mas muito manuseados, machucados, de tamanhos e pesos errados, em suma, a sobra.

Outro fator, é a confiança que você adquire com o tempo nos vendedores.
Com o passar dos anos, viram amigos e você pode confiar quando eles dizem: – Essa ameixa é docinha !

E como escolher?

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